Qual frase está correta?
Falaram as mulheres.
ou
Falaram às mulheres.
As duas! Depende do que você quer dizer, é claro.
Falaram as mulheres significa que as mulheres disseram alguma coisa (não os homens).
Falaram às mulheres, por outro lado, significa que "alguém" falou "alguma coisa" para as mulheres, que ouviram o que foi dito.
Isso nos mostra a importância da crase para uma boa compreensão da idéia que estamos tentando transmitir.
Agora a nossa frase em Inglês:
It's a half baked idea. I'm still chewing over it.
Temos aqui duas expressões idiomáticas interessantes. Ambas utilizam palavras ligadas à cozinha (baked = assado/a) e chew (mastigar). O significado é: Essa idéia ainda está crua. Ainda estou considerando a questão (os prós e contras).
Não perca nossas próximas enquetes, okay?
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Atenção fãs de Paula Bressann, Vanessa Jackson e Leilah Moreno!!!
Rock Show é uma deliciosa viagem pela história do ritmo que revolucionou gerações. Rock show é um musical moderno, divertido e interativo, que abusa das formas de fazer rock a partir do sapateado, jazz, performances, percussão, entre outras formas de expressão, apresentando uma retrospectiva musical de grandes sucessos do rock’n roll dos maiores ídolos da música, apresentado por atores-cantores com Leilah Moreno, Vanessa Jackson, Paula Bressann, Kelly Moore, Nando Fernandes e grande elenco. O Musical, dirigido por Hudson Glauber e supervisionado por Wolf Maya, estréia nessa 6a feira 19/09 e terá curta temporada... somente até 30/10!!! Não perca!Teatro Brigadeiro
Av.Brig.Luis Antônio, 884 - Bela Vista
6as e Sábados: 21:30
Domingos: 19:30
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Leilah Moreno,
Paula Bressann,
Rockshow,
Vanessa Jackson
domingo, 14 de setembro de 2008
CANTINHO DO ESCRITOR
O Nosso Epitáfio
Conto escrito por Joilson Kariry Rodrigues
Meu caro secretário,
Quando chegarem a ti estes escritos eu já terei partido. Não tenho enganos quanto à minha saúde frágil e decerto não me resta mais do que hoje. Não serei longo, do pouco de forças que ainda me restam não gastarei com delongas. Escrevo-te porque, sendo tu a única pessoa a quem julgo querer-me bem, é a ti que encarrego meus funerais. Escrevinhe na lápide o texto que lhe convier pós esta leitura. Se me sobrar ânimo contarei outras passagens da minha vida, mas advirto-te que nenhuma outra lhe parecerá mais interessante do que esta que relatarei aqui. Não me condene pela falta de jeito com as palavras, nunca fui dado a essa tolice que é escrever. Sei da vida o que dela vivenciei, cá no percalço dos anos, que não me foram poucos, nada tirei de livros.
Bem sabes que estou quase para soltar o suspiro medonho, o derradeiro dessa jornada de oitenta e sete anos. Desses, sessenta e dois usufruindo um espólio maldito. Não te dou conta desses fatos, acontecidos em 1944, com a intenção de expurgar a minha alma; um desabafo não bastaria para alvejá-la. Tampouco faço caso dessas lembranças antigas, elas não me importam mais do que o amanhã que pela certa não verei, mas são fundamentais a ti, para que saibas a origem da fortuna que será teu legado.
Longes se vão os dias áureos da minha mocidade. Áureos para mim, austeros para um sócio ingênuo que contraí numa casa de mulher da vida da Rua Aurora. Foi uma paixão de amizade sem tamanho, logo assim de cara. Parece-lhe já ter visto a pintura de um anjo? Pois se viu era ele ali retratado, com a mesma fartura de azul nos olhos e os cabelos em cachos dourados. Apegamo-nos numa dependência que se completava. Ensinei-lhe o que ele não conseguia aprender nos livros, e ele, sabendo da minha aversão às letras, não tendo nada a me ensinar, consentia em bancar nossas noitadas. Quanto tributo pagou aquele pobre coitado para compartilhar da minha amizade? Arranquei-lhe a fórceps todo dinheirinho que o pai, rico fazendeiro de cacau em Ilhéus, enviava-lhe para custear os estudos.
Ricardinho... meu incauto colega de juventude! Tanta riqueza que nos valha, não os predicados da sua alma beata. Pois que esse moço vivia uma peleja íntima, um confronto espinhoso entre a educação católica que recebera da mãe e os instintos de safadeza que herdara de Adão. Fiz o papel da serpente do paraíso, obstinado e descrente que pureza levasse ao céu.
─ Do paraíso já fomos expulsos, Ricardo – dizia eu, e ele expirava um “ai, meu Deus!”, como se pedisse perdão pela minha heresia, embevecido da minha ousadia profana, comichando de vontade de me imitar.
─ Pois é. E nem fomos nós que comemos o fruto proibido... arrematava ele, suspendendo o conflito íntimo, deixando o seu lado ruim ganhar mais uma batalha.
Assim íamos à noite à busca dos frutos da casa da Zilda. Ricardinho deslembrado da religião, eu, engenhando na mente novos argumentos contra a devoção do meu amigo. E no dia seguinte, após uma noite de esbórnia, enquanto eu dormia saciado de fornicação, ele desfiava em rezas um rosário de arrependimentos. Cumpria uma penitência terrível aterrando-se nos livros, jejuando dos frutos da Rua Aurora por duas, três, às vezes quatro noites seguidas. Lá eu também não ia; não sem os olhos azuis e a verba paterna do meu amigo. Eu compartilhava a contragosto da tirania desse santo regime.
Dos livros Ricardinho arrancara erudição e um hábito chato de citar frases famosas. Eu desconhecia as frases e os autores, e ele, abusando da minha ignorância, atribuía a si a autoria desses ditos:
─ A César o que é de César – dizia ele com ares de monge.
─ Quem disse isso, Ricardinho?
─ Eu disse – assumia ele. Mas, mais do que admiração, essa sapiência me causava aversão.
Embora eu fingisse admirar, exagerando na efusão – e a minha bajulação lustrava o ego catedrático do estudante – ele ria largo, exibindo os dentes perfeitos, fazendo covinhas nas bochechas róseas, quase femininas.
─ Você é sábio, amigo Carranca ─ às vezes ele dizia, retribuindo-me os elogios mentirosos. Noutras não dizia nada, recolhia a bajulação, inflava o peito e só faltava pedir-me que arranjasse um rabo para abanar na sua presença.
O receio de ver-me privado daquela verba dobrava meu apego ao moço. Inventava modos de prendê-lo a mim, suando frio com a possibilidade dele fazer novas amizades. Ele carecia de mimo, eu o mimava sem pudores. Renunciei aos meus brios em nome daquela vida. E assim a nossa amizade andava.
Num ponto ainda discordávamos: a sua religiosidade. Receava-me perdê-lo para a sua consciência arrependida. Então, sendo assim, declarei guerra aos santos de sua devoção. Ria zombeteiro de suas carolices, de sua autopunição. Deturpava a biografia dos santos, apontava uma falha no padre, jurava tê-lo visto numa casa de perdição. E, como é mais fácil puxar para baixo do que empurrar para cima, lograva no meu intento. E ele, após deleitar-se nos gozos da noite, já não achava maculada a sua consciência de frade.
Éramos quase irmãos: eu mais a Caim, ele mais a Abel, mas éramos. Ricardinho ausentava-se cada vez mais das suas orientações apostólicas. Eu, por outro lado, ausentei-me da função que me arrimava: carregador de bagagens na estação da Luz. Decidi que viveria sob o esteio do meu amigo, dividindo a mesada e as mulheres que se apaixonavam pelo azul de seus olhos. Ele citou meia dúzia de frases sem efeito, recusou-se veementemente aos meus propósitos, bateu o pé e até ameaçou romper a amizade. Em vão. Minha decisão, ao contrário da minha amizade, era sincera. Insisti. Ele, depois de um breve período ranzinza, acudiu-me resignado.
─ Tudo bem, mas que seja na condição de exilado. Por alguns dias apenas...
Mudei para o seu apartamento da Avenida São João. Ricardinho estreitou-se comigo, alargou sua dependência dos meus falsos elogios e, aos poucos, foi alongando a minha estadia. Dividíamos o mesmo quarto, a loção pós-barba, as mesmas roupas, a mesada e as mulheres da noite.
Assim, a Deus o tempo foi minguando; uma missa a cada quinze dias, depois uma por mês, por fim: só uma oraçãozinha no remorso das noitadas, nada com muita devoção. Ricardinho admirava fielmente a minha irreligiosidade, gostava de me ouvir proferir heresias, falava pela minha boca coisas que o temor aos castigos divinos não o consentia que falasse pela sua.
─ Como é que é, Carranca, aquela santa tem cara de quê?
E eu, no afã de agradá-lo, desfiava um mundo de impropérios à divindade. Ele corava, abria um sorriso grande, fazia covinhas nas bochechas infantis, alisava o começo de bigode. Ficava contente disso, citava uma ou duas frases prontas. Vivíamos, por aqueles dias, uma lua-de-mel de dar inveja; até fazíamos planos para o futuro, como um casal de noivos. Ele prometendo-me uma viagem à Europa assim que concluísse os estudos.
─ Dizem que em Lisboa há dez mulheres para cada homem. São vinte mulheres que estão lá nos esperando – falava eu, meio inseguro de bater com os conhecimentos dele, mas disposto a sustentar essa invenção se fosse contradito.
─ Há mais, Carranca, há mais...
E num arroubo de gentileza ele presenteava-me com uma gravata, ou com um frasco de brilhantina. Alisava o buço, sorria o seu sorriso mais alegre, e juntos saíamos para mais uma noite de orgia. Éramos como irmãos, Remo e Rômulo mamando na mesma teta.
Toda noite havia uma causa a comemorar. E o suor do cacau se derramava nos leitos macios das mulheres da vida, nas noites vaporosas das casas de perdição, nos regados de vinho e na fumaça dos charutos caros. Todo prazer que o cacau podia comprar, comprávamos, sem medidas, sem zelo, sem arrependimentos.
Mas o diabo vestiu saias, ou despiu, para desencaminhar de vez o nosso moço. E a perdição atendia pelo nome de Charlote. Eu a vi primeiro, e primeiro eu caí de paixão. Ela logo fez pouco caso dos meus oferecimentos, eram poucos. Ricardinho tinha mais a dar. Nunca lhe confessei a minha loucura por ela, não convinha. Porém, tentava dissuadi-lo da sua. Em vão; se nem aos santos ele recorria mais, não tinha mais remorsos. Amarguei um ciúme cretino, cheio de ódio e veneno. Charlote, além de refugar o meu amor, também concorria comigo nos regalos que o dinheiro do incauto proporcionava. Travamos, eu e ela, uma disputa belicosa, e a minha desvantagem era imensa.
Charlote me detestava, fazia público o seu asco; batizara-me com os nomes mais feios e humilhantes que conhecia; ora chamava-me “Chupim”, ora eu era o “Corta Jaca”, alusões à minha condição de dependente e adulador. E a paixão era como um inseto zunindo dentro de mim, aferroando meu coração.
─ Por que não vai embora, seu inconho? Por quê? Diga!
Não sabia o que era inconho, ainda que soubesse não tinha coragem de revidar. O gosto da paixão era travoso, seco, emperrava na garganta a força da fala. Trazia engolido o meu desforro, que descarregava depois, a sós, rogando as pragas mais cruéis, resmungando entre os dentes obscenidades e declarações de amor. Ricardinho trocou o sorriso, botara mais aspereza; nem reparei se ainda fazia covinhas, acho que não. O buço se encorpara e já era quase um bigode. E ria seu sorriso novo, grave, indigesto. Eu atacava com injúrias a Charlote. Contava-lhe coisas que soubera dela. Ele parecia mais apaixonado do que eu, desprezava minhas maledicências, acusava-me de mexeriqueiro, até xingava.
O ciúme era um monstro dentro de mim. Um não, dois. Pois que Charlote, aos poucos, ocupava o meu lugar nos planos de Ricardinho. Agora seria ela a ir ver a Europa. Sentia-me espoliado, controlava-me a pulso, maldizendo a minha sorte. Arriscava mais um comentário maldoso à moral da moça, era rechaçado com os mesmos agravos. Doía-me imaginar o que ele fazia com ela na intimidade, os beijos estalados, as carícias dadas entre gemidos. Farejava o ar, cheirava as camisas sujas dele, buscando a presença dela num restinho de odor.
Recorri aos céus; tentei desfazer minha obra na cabeça de Ricardinho, trazê-lo de volta à religião. Lembrava-lhe o seu tempo de beatice, adverti-o para o seu descaso com Deus, sua inadimplência com a fé. Ele defendia-se com ironias, citando frases evangélicas que distorcia a seu favor.
─ Que atire a primeira pedra aquele que não tiver pecados...
E eu atirava; não nele, mas em Charlote. Recriminava sua conduta espetaculosa, a indecência de sua moda, suas modernidades; ela era uma avoada. Eu era um pregador no deserto, orando sem valia. O meu ateísmo decalcara-se na alma dele, tão forte, tão impregnado, que os temores divinos não arrancavam mais. Ricardinho não guardava lembranças da religiosidade de antes, ria da minha pregação como eu já rira dele, curtindo a desforra. Não servi como instrumento de Deus, busquei apoio na oposição; fiz feitiçaria, magia negra, macumba, sacrifícios. Pois eu digo, meu caro, que nem a Deus e nem ao diabo valeram a reza e as oferendas. O namoro dos dois ia fortalecido, calçado na felicidade dos amores novos em detrimento da minha inveja e do meu ciúme.
Foi pelos dias de carnaval que recebi o golpe maior. Uma semana antes Ricardinho lembrara-me a condição de exilado, exigindo urgência na minha situação. Eu, definitivamente, não mais contava nos planos dele. Decerto transferira a Charlote as promessas de viagens, os presentinhos, as descontrações. Fui, no Domingo à noite, com mais dois colegas de desgraça, mendigar favores sexuais na casa da Zilda. Sobrou-me uma mulher com males venéreos e uma recém-parida, que recusei com respeito. Embriaguei-me dos sobejos dos amigos e retornei antes do amanhecer. O casal fazia festinha no quarto. Charlote respondia às cócegas com gritinhos agudos; depois era a vez dele, que ria seu sorriso novo. Odiei amar aquela mulher, que me desprezava, que ocupava meu espaço nos sonhos de Ricardo. Odiei a ele também, com um ódio de Caim. Aproximei-me da porta, pé ante pé, ruminando meu ciúme acre, espumando de embriaguez e demência. Minha loucura coibiu-me da prudência, e, com a sutileza de um bêbado, esbarrei na porta. Tentei recuar. Ricardinho apanhou-me em flagrante, mas o surpreendido era ele, que não me esperava tão logo. Rosnou como um possesso, exigindo sossego e privacidade, atirando-me na fuça os nomes mais feios. Eu concordava passivo, manso, desculpando-me da minha indiscrição. Esperava que ele dissesse “bem-aventurados os mansos... ‘, mas ele era só insultos, desejoso de que eu tivesse um rabo para enfiar entre as pernas. Aos brados de palavrões mandou-me sair, que voltasse para o buraco de onde viera, fosse importunar o diabo. Aceitei a punição. Porém, Charlote fora ainda mais cruel; ausentar-me por algumas horas não pagava o meu erro, exigiu minha expulsão definitiva, como Salomé pedindo a cabeça do Batista; não sei se ele gostou da idéia, mas atendeu de vez o desejo dela, e sacudiu pela janela as minhas poucas tralhas”.
Nos dois dias que se seguiram eu perambulei sem propósito. Atordoado. Não tinha fome, não tinha sede. Quando me dava claridade nas idéias eu fazia balanços da minha vida, dos meus vinte e poucos anos. Jurava recompor-me, conseguir trabalho. Mas logo as lembranças retornavam à minha mente, e escureciam-me nas trevas do ódio. E o meu ódio não aceitava a minha covardia.
Na quarta-feira de cinzas, bem cedo, voltei ao prédio. Subi e fui direto ao apartamento, ainda tinha comigo as chaves. Entrei sem fazer barulho. Fui ao quarto. Os dois dormiam nus, saciados de amor. Fui à gaveta e apanhei a arma dele. Não sei quanto tempo fiquei ali, olhando os dois, acho que por longos minutos. Ricardinho foi o primeiro a receber o disparo no peito, seu sangue respingou e misturou-se ao de Charlote quando a alvejei também. Como um pacto derradeiro e involuntário. Ele ainda abriu os olhos azuis e olhou-me com piedade. Pensei ouvir dizer “até tu, Brutus?”. Não, acho que não. Acho que foi delírio meu.
Durante um dia e meio eu permaneci ali, não no quarto, no resto da casa. Atormentado. Às vezes tinha repentes de lucidez, segundos apenas, quando cogitava entregar-me à polícia. Mas logo era envolvido por delírios vagos. Parecia-me ouvir Charlote chamando-me de inconho, de chupim e de outras coisas humilhantes. Outra voz mais potente gritava: “Caim, que fizeste a teu irmão?”. Ao meio dia da quinta feira as alucinações se foram, levando minha consciência.
Não vem ao caso contar-te como dei fim aos corpos, o que importa é dizer que assumi a vida do meu infeliz amigo. Aprendi a imitar sua assinatura e por seis meses recebi sua mesada. Com os pais dele eu mantinha contato por telegrama ou cartas datilografadas, sempre exigindo mais dinheiro. Nunca mais voltei à casa da Zilda, nem à Rua Aurora. Mudei para o outro lado da cidade, e me mantive em discrição. Ao fim dos seis meses resolvi dar-me sumiço de vez. Obtive sucesso no investimento das mesadas, longe dali. Nunca guardei remorsos daquele dia, fui feliz até.
Sinto que a morte agora tem pressa, não fosse por isso, te contaria outras coisas, menos importante, mas também interessantes. Só quero que saibas, amigo, que eu estou ciente que fostes me envenenando aos poucos, ministrando remédios que aceleravam o meu fim, desde o dia que te fiz meu herdeiro universal. Não te atormentes. Escreva na minha lápide o mesmo texto que um dia escreverão na sua.
Conto escrito por Joilson Kariry Rodrigues
Meu caro secretário,
Quando chegarem a ti estes escritos eu já terei partido. Não tenho enganos quanto à minha saúde frágil e decerto não me resta mais do que hoje. Não serei longo, do pouco de forças que ainda me restam não gastarei com delongas. Escrevo-te porque, sendo tu a única pessoa a quem julgo querer-me bem, é a ti que encarrego meus funerais. Escrevinhe na lápide o texto que lhe convier pós esta leitura. Se me sobrar ânimo contarei outras passagens da minha vida, mas advirto-te que nenhuma outra lhe parecerá mais interessante do que esta que relatarei aqui. Não me condene pela falta de jeito com as palavras, nunca fui dado a essa tolice que é escrever. Sei da vida o que dela vivenciei, cá no percalço dos anos, que não me foram poucos, nada tirei de livros.
Bem sabes que estou quase para soltar o suspiro medonho, o derradeiro dessa jornada de oitenta e sete anos. Desses, sessenta e dois usufruindo um espólio maldito. Não te dou conta desses fatos, acontecidos em 1944, com a intenção de expurgar a minha alma; um desabafo não bastaria para alvejá-la. Tampouco faço caso dessas lembranças antigas, elas não me importam mais do que o amanhã que pela certa não verei, mas são fundamentais a ti, para que saibas a origem da fortuna que será teu legado.
Longes se vão os dias áureos da minha mocidade. Áureos para mim, austeros para um sócio ingênuo que contraí numa casa de mulher da vida da Rua Aurora. Foi uma paixão de amizade sem tamanho, logo assim de cara. Parece-lhe já ter visto a pintura de um anjo? Pois se viu era ele ali retratado, com a mesma fartura de azul nos olhos e os cabelos em cachos dourados. Apegamo-nos numa dependência que se completava. Ensinei-lhe o que ele não conseguia aprender nos livros, e ele, sabendo da minha aversão às letras, não tendo nada a me ensinar, consentia em bancar nossas noitadas. Quanto tributo pagou aquele pobre coitado para compartilhar da minha amizade? Arranquei-lhe a fórceps todo dinheirinho que o pai, rico fazendeiro de cacau em Ilhéus, enviava-lhe para custear os estudos.
Ricardinho... meu incauto colega de juventude! Tanta riqueza que nos valha, não os predicados da sua alma beata. Pois que esse moço vivia uma peleja íntima, um confronto espinhoso entre a educação católica que recebera da mãe e os instintos de safadeza que herdara de Adão. Fiz o papel da serpente do paraíso, obstinado e descrente que pureza levasse ao céu.
─ Do paraíso já fomos expulsos, Ricardo – dizia eu, e ele expirava um “ai, meu Deus!”, como se pedisse perdão pela minha heresia, embevecido da minha ousadia profana, comichando de vontade de me imitar.
─ Pois é. E nem fomos nós que comemos o fruto proibido... arrematava ele, suspendendo o conflito íntimo, deixando o seu lado ruim ganhar mais uma batalha.
Assim íamos à noite à busca dos frutos da casa da Zilda. Ricardinho deslembrado da religião, eu, engenhando na mente novos argumentos contra a devoção do meu amigo. E no dia seguinte, após uma noite de esbórnia, enquanto eu dormia saciado de fornicação, ele desfiava em rezas um rosário de arrependimentos. Cumpria uma penitência terrível aterrando-se nos livros, jejuando dos frutos da Rua Aurora por duas, três, às vezes quatro noites seguidas. Lá eu também não ia; não sem os olhos azuis e a verba paterna do meu amigo. Eu compartilhava a contragosto da tirania desse santo regime.
Dos livros Ricardinho arrancara erudição e um hábito chato de citar frases famosas. Eu desconhecia as frases e os autores, e ele, abusando da minha ignorância, atribuía a si a autoria desses ditos:
─ A César o que é de César – dizia ele com ares de monge.
─ Quem disse isso, Ricardinho?
─ Eu disse – assumia ele. Mas, mais do que admiração, essa sapiência me causava aversão.
Embora eu fingisse admirar, exagerando na efusão – e a minha bajulação lustrava o ego catedrático do estudante – ele ria largo, exibindo os dentes perfeitos, fazendo covinhas nas bochechas róseas, quase femininas.
─ Você é sábio, amigo Carranca ─ às vezes ele dizia, retribuindo-me os elogios mentirosos. Noutras não dizia nada, recolhia a bajulação, inflava o peito e só faltava pedir-me que arranjasse um rabo para abanar na sua presença.
O receio de ver-me privado daquela verba dobrava meu apego ao moço. Inventava modos de prendê-lo a mim, suando frio com a possibilidade dele fazer novas amizades. Ele carecia de mimo, eu o mimava sem pudores. Renunciei aos meus brios em nome daquela vida. E assim a nossa amizade andava.
Num ponto ainda discordávamos: a sua religiosidade. Receava-me perdê-lo para a sua consciência arrependida. Então, sendo assim, declarei guerra aos santos de sua devoção. Ria zombeteiro de suas carolices, de sua autopunição. Deturpava a biografia dos santos, apontava uma falha no padre, jurava tê-lo visto numa casa de perdição. E, como é mais fácil puxar para baixo do que empurrar para cima, lograva no meu intento. E ele, após deleitar-se nos gozos da noite, já não achava maculada a sua consciência de frade.
Éramos quase irmãos: eu mais a Caim, ele mais a Abel, mas éramos. Ricardinho ausentava-se cada vez mais das suas orientações apostólicas. Eu, por outro lado, ausentei-me da função que me arrimava: carregador de bagagens na estação da Luz. Decidi que viveria sob o esteio do meu amigo, dividindo a mesada e as mulheres que se apaixonavam pelo azul de seus olhos. Ele citou meia dúzia de frases sem efeito, recusou-se veementemente aos meus propósitos, bateu o pé e até ameaçou romper a amizade. Em vão. Minha decisão, ao contrário da minha amizade, era sincera. Insisti. Ele, depois de um breve período ranzinza, acudiu-me resignado.
─ Tudo bem, mas que seja na condição de exilado. Por alguns dias apenas...
Mudei para o seu apartamento da Avenida São João. Ricardinho estreitou-se comigo, alargou sua dependência dos meus falsos elogios e, aos poucos, foi alongando a minha estadia. Dividíamos o mesmo quarto, a loção pós-barba, as mesmas roupas, a mesada e as mulheres da noite.
Assim, a Deus o tempo foi minguando; uma missa a cada quinze dias, depois uma por mês, por fim: só uma oraçãozinha no remorso das noitadas, nada com muita devoção. Ricardinho admirava fielmente a minha irreligiosidade, gostava de me ouvir proferir heresias, falava pela minha boca coisas que o temor aos castigos divinos não o consentia que falasse pela sua.
─ Como é que é, Carranca, aquela santa tem cara de quê?
E eu, no afã de agradá-lo, desfiava um mundo de impropérios à divindade. Ele corava, abria um sorriso grande, fazia covinhas nas bochechas infantis, alisava o começo de bigode. Ficava contente disso, citava uma ou duas frases prontas. Vivíamos, por aqueles dias, uma lua-de-mel de dar inveja; até fazíamos planos para o futuro, como um casal de noivos. Ele prometendo-me uma viagem à Europa assim que concluísse os estudos.
─ Dizem que em Lisboa há dez mulheres para cada homem. São vinte mulheres que estão lá nos esperando – falava eu, meio inseguro de bater com os conhecimentos dele, mas disposto a sustentar essa invenção se fosse contradito.
─ Há mais, Carranca, há mais...
E num arroubo de gentileza ele presenteava-me com uma gravata, ou com um frasco de brilhantina. Alisava o buço, sorria o seu sorriso mais alegre, e juntos saíamos para mais uma noite de orgia. Éramos como irmãos, Remo e Rômulo mamando na mesma teta.
Toda noite havia uma causa a comemorar. E o suor do cacau se derramava nos leitos macios das mulheres da vida, nas noites vaporosas das casas de perdição, nos regados de vinho e na fumaça dos charutos caros. Todo prazer que o cacau podia comprar, comprávamos, sem medidas, sem zelo, sem arrependimentos.
Mas o diabo vestiu saias, ou despiu, para desencaminhar de vez o nosso moço. E a perdição atendia pelo nome de Charlote. Eu a vi primeiro, e primeiro eu caí de paixão. Ela logo fez pouco caso dos meus oferecimentos, eram poucos. Ricardinho tinha mais a dar. Nunca lhe confessei a minha loucura por ela, não convinha. Porém, tentava dissuadi-lo da sua. Em vão; se nem aos santos ele recorria mais, não tinha mais remorsos. Amarguei um ciúme cretino, cheio de ódio e veneno. Charlote, além de refugar o meu amor, também concorria comigo nos regalos que o dinheiro do incauto proporcionava. Travamos, eu e ela, uma disputa belicosa, e a minha desvantagem era imensa.
Charlote me detestava, fazia público o seu asco; batizara-me com os nomes mais feios e humilhantes que conhecia; ora chamava-me “Chupim”, ora eu era o “Corta Jaca”, alusões à minha condição de dependente e adulador. E a paixão era como um inseto zunindo dentro de mim, aferroando meu coração.
─ Por que não vai embora, seu inconho? Por quê? Diga!
Não sabia o que era inconho, ainda que soubesse não tinha coragem de revidar. O gosto da paixão era travoso, seco, emperrava na garganta a força da fala. Trazia engolido o meu desforro, que descarregava depois, a sós, rogando as pragas mais cruéis, resmungando entre os dentes obscenidades e declarações de amor. Ricardinho trocou o sorriso, botara mais aspereza; nem reparei se ainda fazia covinhas, acho que não. O buço se encorpara e já era quase um bigode. E ria seu sorriso novo, grave, indigesto. Eu atacava com injúrias a Charlote. Contava-lhe coisas que soubera dela. Ele parecia mais apaixonado do que eu, desprezava minhas maledicências, acusava-me de mexeriqueiro, até xingava.
O ciúme era um monstro dentro de mim. Um não, dois. Pois que Charlote, aos poucos, ocupava o meu lugar nos planos de Ricardinho. Agora seria ela a ir ver a Europa. Sentia-me espoliado, controlava-me a pulso, maldizendo a minha sorte. Arriscava mais um comentário maldoso à moral da moça, era rechaçado com os mesmos agravos. Doía-me imaginar o que ele fazia com ela na intimidade, os beijos estalados, as carícias dadas entre gemidos. Farejava o ar, cheirava as camisas sujas dele, buscando a presença dela num restinho de odor.
Recorri aos céus; tentei desfazer minha obra na cabeça de Ricardinho, trazê-lo de volta à religião. Lembrava-lhe o seu tempo de beatice, adverti-o para o seu descaso com Deus, sua inadimplência com a fé. Ele defendia-se com ironias, citando frases evangélicas que distorcia a seu favor.
─ Que atire a primeira pedra aquele que não tiver pecados...
E eu atirava; não nele, mas em Charlote. Recriminava sua conduta espetaculosa, a indecência de sua moda, suas modernidades; ela era uma avoada. Eu era um pregador no deserto, orando sem valia. O meu ateísmo decalcara-se na alma dele, tão forte, tão impregnado, que os temores divinos não arrancavam mais. Ricardinho não guardava lembranças da religiosidade de antes, ria da minha pregação como eu já rira dele, curtindo a desforra. Não servi como instrumento de Deus, busquei apoio na oposição; fiz feitiçaria, magia negra, macumba, sacrifícios. Pois eu digo, meu caro, que nem a Deus e nem ao diabo valeram a reza e as oferendas. O namoro dos dois ia fortalecido, calçado na felicidade dos amores novos em detrimento da minha inveja e do meu ciúme.
Foi pelos dias de carnaval que recebi o golpe maior. Uma semana antes Ricardinho lembrara-me a condição de exilado, exigindo urgência na minha situação. Eu, definitivamente, não mais contava nos planos dele. Decerto transferira a Charlote as promessas de viagens, os presentinhos, as descontrações. Fui, no Domingo à noite, com mais dois colegas de desgraça, mendigar favores sexuais na casa da Zilda. Sobrou-me uma mulher com males venéreos e uma recém-parida, que recusei com respeito. Embriaguei-me dos sobejos dos amigos e retornei antes do amanhecer. O casal fazia festinha no quarto. Charlote respondia às cócegas com gritinhos agudos; depois era a vez dele, que ria seu sorriso novo. Odiei amar aquela mulher, que me desprezava, que ocupava meu espaço nos sonhos de Ricardo. Odiei a ele também, com um ódio de Caim. Aproximei-me da porta, pé ante pé, ruminando meu ciúme acre, espumando de embriaguez e demência. Minha loucura coibiu-me da prudência, e, com a sutileza de um bêbado, esbarrei na porta. Tentei recuar. Ricardinho apanhou-me em flagrante, mas o surpreendido era ele, que não me esperava tão logo. Rosnou como um possesso, exigindo sossego e privacidade, atirando-me na fuça os nomes mais feios. Eu concordava passivo, manso, desculpando-me da minha indiscrição. Esperava que ele dissesse “bem-aventurados os mansos... ‘, mas ele era só insultos, desejoso de que eu tivesse um rabo para enfiar entre as pernas. Aos brados de palavrões mandou-me sair, que voltasse para o buraco de onde viera, fosse importunar o diabo. Aceitei a punição. Porém, Charlote fora ainda mais cruel; ausentar-me por algumas horas não pagava o meu erro, exigiu minha expulsão definitiva, como Salomé pedindo a cabeça do Batista; não sei se ele gostou da idéia, mas atendeu de vez o desejo dela, e sacudiu pela janela as minhas poucas tralhas”.
Nos dois dias que se seguiram eu perambulei sem propósito. Atordoado. Não tinha fome, não tinha sede. Quando me dava claridade nas idéias eu fazia balanços da minha vida, dos meus vinte e poucos anos. Jurava recompor-me, conseguir trabalho. Mas logo as lembranças retornavam à minha mente, e escureciam-me nas trevas do ódio. E o meu ódio não aceitava a minha covardia.
Na quarta-feira de cinzas, bem cedo, voltei ao prédio. Subi e fui direto ao apartamento, ainda tinha comigo as chaves. Entrei sem fazer barulho. Fui ao quarto. Os dois dormiam nus, saciados de amor. Fui à gaveta e apanhei a arma dele. Não sei quanto tempo fiquei ali, olhando os dois, acho que por longos minutos. Ricardinho foi o primeiro a receber o disparo no peito, seu sangue respingou e misturou-se ao de Charlote quando a alvejei também. Como um pacto derradeiro e involuntário. Ele ainda abriu os olhos azuis e olhou-me com piedade. Pensei ouvir dizer “até tu, Brutus?”. Não, acho que não. Acho que foi delírio meu.
Durante um dia e meio eu permaneci ali, não no quarto, no resto da casa. Atormentado. Às vezes tinha repentes de lucidez, segundos apenas, quando cogitava entregar-me à polícia. Mas logo era envolvido por delírios vagos. Parecia-me ouvir Charlote chamando-me de inconho, de chupim e de outras coisas humilhantes. Outra voz mais potente gritava: “Caim, que fizeste a teu irmão?”. Ao meio dia da quinta feira as alucinações se foram, levando minha consciência.
Não vem ao caso contar-te como dei fim aos corpos, o que importa é dizer que assumi a vida do meu infeliz amigo. Aprendi a imitar sua assinatura e por seis meses recebi sua mesada. Com os pais dele eu mantinha contato por telegrama ou cartas datilografadas, sempre exigindo mais dinheiro. Nunca mais voltei à casa da Zilda, nem à Rua Aurora. Mudei para o outro lado da cidade, e me mantive em discrição. Ao fim dos seis meses resolvi dar-me sumiço de vez. Obtive sucesso no investimento das mesadas, longe dali. Nunca guardei remorsos daquele dia, fui feliz até.
Sinto que a morte agora tem pressa, não fosse por isso, te contaria outras coisas, menos importante, mas também interessantes. Só quero que saibas, amigo, que eu estou ciente que fostes me envenenando aos poucos, ministrando remédios que aceleravam o meu fim, desde o dia que te fiz meu herdeiro universal. Não te atormentes. Escreva na minha lápide o mesmo texto que um dia escreverão na sua.
Enquetes da Semana - Respostas:
Onde ou Aonde?
Onde é utilizado com verbos que não indicam movimento.
Onde é o restaurante?
Onde você estuda?
Onde você mora?
Aonde (a + onde) é utilizado com verbos que indicam movimento.
Aonde você vai passar as férias?
Aonde você foi ontem?
Observação: Não há diferença no português clássico, somente no português formal moderno!
Como você explicaria a um estrangeiro a expressão idiomática “essa não é minha praia.”
É fácil! Basta dizer “this is not my cup of tea”. Por exemplo:
- How about going to a karaoke bar, I love singing!
- I'd rather go to a different place. Singing at karaoke bars is not my cup of tea.
Onde é utilizado com verbos que não indicam movimento.
Onde é o restaurante?
Onde você estuda?
Onde você mora?
Aonde (a + onde) é utilizado com verbos que indicam movimento.
Aonde você vai passar as férias?
Aonde você foi ontem?
Observação: Não há diferença no português clássico, somente no português formal moderno!
Como você explicaria a um estrangeiro a expressão idiomática “essa não é minha praia.”
É fácil! Basta dizer “this is not my cup of tea”. Por exemplo:
- How about going to a karaoke bar, I love singing!
- I'd rather go to a different place. Singing at karaoke bars is not my cup of tea.
sábado, 6 de setembro de 2008
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
LEITURA NO METRÔ
Ontem fiquei muito feliz ao passar pela estação Paraíso do metrô. Há muito tempo eu não deixava o carro em casa e utilizava esse meio de transporte. Percebi uma mudança fundamental no hábito dos paulistanos. Hoje, diferentemente do que ocorria há alguns anos, já é possível observar um grande número de pessoas investindo seu precioso tempo de viagem em leitura. Antigamente havia uma marcante diferença entre uma viagem de metrô em SP e em algumas importantes capitais européias, como Londres, Paris, Estocolmo e Amsterdã, onde a grande maioria dos passageiros passa o tempo lendo. Não importa se é um livro, um conceituado jornal local ou, até mesmo, um pequeno informativo distribuído gratuitamente pela empresa de transporte. O importante é ler. A leitura é a base para se escrever bem, portanto, tornar-se um bom escritor sem criar este hábito é, praticamente, impossível. Por meio da leitura, conseguimos nos manter informados sobre os últimos acontecimentos em todo o mundo, atualizados em relação às mais recentes descobertas, nos deliciar com romances e textos de ficção que nos transportam para outra dimensão e nos fazem, até mesmo, esquecer os problemas corriqueiros. Isso tudo, além de proporcionar ao leitor uma enorme exposição e uma excelente oportunidade de ampliar e enriquecer seu vocabulário. Segundo o site do metropolitano de SP – metrô – em Maio de 2008 foi inaugurada a mais nova Biblioteca Embarque na Leitura na estação Santa Cecília. Ela já conta com um acervo bastante variado de 2.100 livros. Outras 4 bibliotecas já funcionam há bastante tempo nas estações Paraíso, Tatuapé, Luz e Largo 13. É possível obter maiores informações sobre o cadastramento no site do metrô: http://www.metro.sp.gov.br/servicos/biblioteca/embarque.shtml
Pode parecer um tanto complicado manter a concentração na leitura, ao mesmo tempo em que tentamos nos equilibrar (caso estejamos de pé), vigiar nossos pertences e ainda prestar atenção na estação de destino, mas convenhamos, o trajeto tornar-se-á muito mais rápido e agradável com um livro nas mãos. Não perca tempo e invista na leitura. Todos os dias você chegará ao seu destino, e em sua vida irá ainda muito mais longe!
Sally Tilelli
Sieben Gruppe
SUGESTÕES DE LEITURA E PARA PRESENTEAR
Você se lembra do último livro que leu? Gostou? Indicou para alguém? O hábito de ler pode e deve ser acompanhado do hábito de sugerir. Já o ato de presentear pode tornar-se ainda mais carinhoso se o presente em questão for um livro. A leitura prepara nossos filhos para a vida. Não dê apenas um presente, dê o futuro.
Sugestões Sieben:
• Se você é empresário, empreendedor, leia “A Escola dos Deuses” de Stefano Elio D’Anna.
• Se você quer aprender um pouco sobre a ativação dos nossos genes positivos, leia “O Código Divino da Vida” do geneticista Dr. Kazuo Murakami.
• Se você adora um romance, não deixe de ler “A Gruta – Memórias da Amada Imortal”, do maestro e pianista Marco R. Menezes.
Todos os livros acima são da ProLíbera Editora e podem ser encontrados nas melhores livrarias de São Paulo.
Em cada contato apresentaremos novas sugestões de leitura.
Sieben Gruppe
Pode parecer um tanto complicado manter a concentração na leitura, ao mesmo tempo em que tentamos nos equilibrar (caso estejamos de pé), vigiar nossos pertences e ainda prestar atenção na estação de destino, mas convenhamos, o trajeto tornar-se-á muito mais rápido e agradável com um livro nas mãos. Não perca tempo e invista na leitura. Todos os dias você chegará ao seu destino, e em sua vida irá ainda muito mais longe!
Sally Tilelli
Sieben Gruppe
SUGESTÕES DE LEITURA E PARA PRESENTEAR
Você se lembra do último livro que leu? Gostou? Indicou para alguém? O hábito de ler pode e deve ser acompanhado do hábito de sugerir. Já o ato de presentear pode tornar-se ainda mais carinhoso se o presente em questão for um livro. A leitura prepara nossos filhos para a vida. Não dê apenas um presente, dê o futuro.
Sugestões Sieben:
• Se você é empresário, empreendedor, leia “A Escola dos Deuses” de Stefano Elio D’Anna.
• Se você quer aprender um pouco sobre a ativação dos nossos genes positivos, leia “O Código Divino da Vida” do geneticista Dr. Kazuo Murakami.
• Se você adora um romance, não deixe de ler “A Gruta – Memórias da Amada Imortal”, do maestro e pianista Marco R. Menezes.
Todos os livros acima são da ProLíbera Editora e podem ser encontrados nas melhores livrarias de São Paulo.
Em cada contato apresentaremos novas sugestões de leitura.
Sieben Gruppe
A educação, a sala de aula, os professores, os alunos, os pais...
Meu nome é Sally Tilelli e trabalhei como professora durante muitos anos (quase 20, para ser mais específica). Contudo, recentemente decidi parar de lecionar e me dedicar à minha empresa – a Sieben Gruppe – onde realizo trabalhos de tradução, revisão textual, entre outros. Quando decidi abrir meu próprio negócio, juntamente com minhas sócias (e também irmãs), lembro do quanto me senti feliz e aliviada por não mais precisar enfrentar o trânsito enlouquecedor de nossa cidade (SP), o barulho ensurdecedor e a violência sem limites que assola cada esquina, cada semáforo (farol, sinaleiro – como você preferir). Ah, que delícia trabalhar em casa, no meu próprio escritório, ouvindo música francesa, tomando limonada – just perfect! Porém, lendo uma reportagem da Revista Veja – publicada em Junho de 2008 – percebi que o que realmente me fez desistir de lecionar, não foram os problemas externos à sala de aula e sim os que ocorreram e ainda ocorrem dentro dela e de várias escolas. Antigamente, quando eu era aluna do primário, ginásio (ou seja, há muuuuuuuuuuuuito tempo), o relacionamento entre professores, estudantes e pais, era completamente diferente. Havia profundo respeito por parte dos pupilos e de seus progenitores, em relação aos mestres que, pelo menos em sua esmagadora maioria, eram dotados de profundo conhecimento teórico e prático. Conseguiam compartilhar seu saber com os mais jovens, preparando-os para tornarem-se profissionais bem sucedidos e, acima de tudo, verdadeiros seres humanos – no sentido mais amplo da palavra.x Tínhamos orgulho de mencionar os nomes de nossos professores, pois haviam sido eles os responsáveis por lapidar e enriquecer nosso conhecimento. Muitos haviam inclusive ensinado os pais de seus atuais alunos. Outro fator era o comprometimento de nossos pais com o ensino. Eles conheciam seus filhos e sabiam o quanto era importante apoiar o professor, mesmo quando isso significava dar um bom puxão de orelhas no rebento.
Por que estou escrevendo tudo isso? Hoje, apesar de amar minha profissão, já não sinto o menor interesse pela sala de aula. É terrível dizer isso, mas o fato é que me deparei com uma realidade aterradora: atualmente, nós professores, pelo menos segundo uma grande parte da sociedade – de forma consciente ou não – nos tornamos profissionais despreparados, e portanto, dispensáveis e facilmente substituíveis. Voltando à reportagem publicada pela revista Veja, o número de professores que chegam às salas de aula sem o menor preparo para lecionar é inaceitável. É difícil para o profissional que ama o ensino, dividir espaço e, até mesmo cedê-lo a novos professores que chegam às escolas, cada vez menos preparados. Observe abaixo alguns dados importantes: dos 260 mil professores que participaram de concursos públicos, nas 4 maiores redes de ensino do país, ou seja, MG, PE, RJ e SP, 73% foram reprovados nos testes básicos nas áreas em que pretendiam ensinar, dentre elas matérias importantíssimas, como: o português e a matemática. O problema não termina aí, pois boa parte dos que foram aprovados, 27%, passou nos teste com as notas mínimas necessárias. O exemplo mais assustador é de PE. Dos 4.352 candidatos que prestaram exames, apenas 34 conseguiram responder questões elementares de geometria e álgebra, ou seja, 0.8% dos participantes. Acredite se quiser, a grande maioria já leciona! O que está acontecendo com nossos professores? Precisamos analisar vários aspectos:
1- O péssimo nível do ensino superior voltado para a formação de professores em nosso país é, sem dúvida, um dos maiores responsáveis por esta situação. Somente 1% dos candidatos atingem nota máxima na avaliação final. Bem, se os professores não aprendem, como podem ensinar, não é?
2- Pesquisas mostram claramente que aqueles fazem opção por trabalhar dentro de salas de aula em nosso país, são, geralmente, os piores alunos de suas classes. Enquanto que nos paises desenvolvidos, os que escolhem lecionar encontram-se entre os 10% que obtiveram as melhores notas como alunos.
3- A maioria dos professores no Brasil vem de famílias nas quais os pais sequer terminaram o ensino fundamental e vivem uma vida repleta de dificuldades, devido aos baixos salários, fraca alimentação . Sem base em casa (com todo o respeito a todas as famílias brasileiras), torna-se difícil para a criança atingir níveis mais altos na escola.
4- Para a grande maioria de nossos professores, o sonho não está dentro de uma sala de aula. Os que ensinam matérias como física, química, ciências, muitas vezes gostariam de se dedicar ao trabalho de pesquisas em grandes laboratórios, pesquisas de campo, mas por falta de incentivos nessas áreas acabam aceitando o trabalho a frente de 40 alunos, geralmente desmotivados, o que, aliás, é outro problema sério que discutiremos mais tarde.
5- Muitas escolas deixaram de ser tratadas como templos sagrados do ensino e são hoje gerenciadas como empresas. Seus “diretores” instruem seus “professores”, a prepararem seus alunos única e exclusivamente para serem aprovados no vestibular. Não importa realmente se eles aprenderam para a vida, ou não. Existem várias instituições conceituadas que aplicam provas e simulados quase que diariamente. O intuito é conseguir fazer com que um número cada vez maior de “representantes” dessas escolas sejam aprovados na prova das provas – o vestibular. Que maravilha! Nossa escola teve um índice de aprovação de 97,3% - fantástico! Também, com o número de novas faculdades que surgem a cada esquina, e com o tipo de teste que elas aplicam quem não passa? Nos cursos livres, o problema é ainda mais grave, pois o professor é praticamente proibido de tomar qualquer atitude em relação à disciplina. Isso pode fazer com que os alunos (indisciplinados) e seus pais (muitos deles ausentes) sintam-se incomodados e desistam. Os números caem e o professor perde o emprego. Neste caso, a indisciplina torna-se a regra, e não a exceção.
6- A falta de motivação dos alunos é outro fator importante. Não pense que somente os alunos de escolas públicas sofrem desse mal. Infelizmente, mesmo entre aqueles matriculados em escolas conceituadas, a motivação não é muito maior. A diferença está nas razões que levam o aluno a sentir-se desmotivado. Os provenientes de famílias mais humildes – que geralmente estudam em escolas públicas e na periferia – enfrentam problemas sérios em casa, como a falta de elementos básicos para o aprendizado (livros, alimentação, paz), e até nos bairros em que moram (violência, drogas, falta de transporte, acesso à saúde, etc). Os que têm melhores condições sofrem por outras razões. Filhos de pais que trabalham 14 horas por dia e que, para manterem seus empregos, precisam estar em constante atualização (cursos de pós-graduação, mestrado, doutorado, línguas etc) relegam os “baixinhos” aos cuidados de terceiros. Não podemos esquecer também que um número crescente de crianças e adolescentes vivem em lares incompletos devido ao alto índice de divórcio. Uma criança distante dos pais, nas mãos de um profissional mal preparado, torna-se o que chamamos de “problema” na escola (e futuramente, na sociedade). Surgem as reclamações dos dois lados. Os pais, por sentirem-se culpados pela ausência, cobrem os filhos de carícias positivas (o tênis mais caro, celulares de última geração etc) e os professores, sem treinamento para tais desafios, acabam perdendo o respeito de seus alunos, às vezes por completo. Não podemos esquecer também, que muitas vezes para sentirem-se tranqüilos enquanto trabalham, os pais literalmente “enfiam” os filhos em 10 cursos livres diferentes por dia (línguas, balé, teatro, RPG, filosofia avançada, web-design, entre outros), para que estes não fiquem sozinhos em casa. Os professores desses 10 cursos diferentes são obrigados a lidar com 90% de alunos que prefeririam estar no Iraque a ficar dentro daquela sala de aula. É claro que todos esses cursos são importantes, mas forçar o aluno a fazer coisas que ele não gosta é demais. Coitado do professor e do aluno! Professores e educadores não são pajens! Eles estão lá para ensinar e não para suprirem a falta dos pais, tornando-se babás. Se os pais querem que seus filhos se tornem seres humanos de verdade, precisam ajudar a valorizar os professores, mas é claro que sempre cobrando deles e das instituições onde trabalham um nível de conhecimento adequado e postura profissional.
O ensino é uma coisa maravilhosa. É uma pena assistirmos em nosso país, diariamente, o assassinato das escolas, dos professores e, em última análise, de nossa língua. É divertido andar pelas ruas e ver placas engraçadas, escritas de maneira errada, o problema é que não são somente estas placas de rua que estão repletas de erros gramaticais e ortográficos. Representações escritas e assinadas por advogados, livros escritos por médicos, manuais escritos por profissionais de diferentes áreas, chegam às nossas mãos todos os dias recheados de erros crassos e inaceitáveis. É claro que não podemos esperar que os profissionais de outras áreas sejam brilhantes em português, mas aceitar que cometam um homicídio doloso cada vez que escrevem é inaceitávelx. Somos revisoras. Nosso trabalho é revisar e orientar escritores, e gostamos de fazê-lo. Mas é fundamental que medidas sejam tomadas no sentido de melhorar o nível de nossos professores e do ensino como um todo. Melhores salários, uma avaliação mais rígida, maior comprometimento dos pais em relação ao ensino de seus filhos, uma parceria mais forte entre pais e professores, maior coragem dos pais em dizer a seus filhos – Não, seu professor está certo. Você está errado! (se for o caso, é claro). Tudo isso poderá ajudar a melhorar o nível de nossos alunos, a formar professores e outros profissionais mais preparados. A nossa vida pode ser melhor, imagine a de nossos filhos?
Sally Tilelli
Sieben Blog
Por que estou escrevendo tudo isso? Hoje, apesar de amar minha profissão, já não sinto o menor interesse pela sala de aula. É terrível dizer isso, mas o fato é que me deparei com uma realidade aterradora: atualmente, nós professores, pelo menos segundo uma grande parte da sociedade – de forma consciente ou não – nos tornamos profissionais despreparados, e portanto, dispensáveis e facilmente substituíveis. Voltando à reportagem publicada pela revista Veja, o número de professores que chegam às salas de aula sem o menor preparo para lecionar é inaceitável. É difícil para o profissional que ama o ensino, dividir espaço e, até mesmo cedê-lo a novos professores que chegam às escolas, cada vez menos preparados. Observe abaixo alguns dados importantes: dos 260 mil professores que participaram de concursos públicos, nas 4 maiores redes de ensino do país, ou seja, MG, PE, RJ e SP, 73% foram reprovados nos testes básicos nas áreas em que pretendiam ensinar, dentre elas matérias importantíssimas, como: o português e a matemática. O problema não termina aí, pois boa parte dos que foram aprovados, 27%, passou nos teste com as notas mínimas necessárias. O exemplo mais assustador é de PE. Dos 4.352 candidatos que prestaram exames, apenas 34 conseguiram responder questões elementares de geometria e álgebra, ou seja, 0.8% dos participantes. Acredite se quiser, a grande maioria já leciona! O que está acontecendo com nossos professores? Precisamos analisar vários aspectos:
1- O péssimo nível do ensino superior voltado para a formação de professores em nosso país é, sem dúvida, um dos maiores responsáveis por esta situação. Somente 1% dos candidatos atingem nota máxima na avaliação final. Bem, se os professores não aprendem, como podem ensinar, não é?
2- Pesquisas mostram claramente que aqueles fazem opção por trabalhar dentro de salas de aula em nosso país, são, geralmente, os piores alunos de suas classes. Enquanto que nos paises desenvolvidos, os que escolhem lecionar encontram-se entre os 10% que obtiveram as melhores notas como alunos.
3- A maioria dos professores no Brasil vem de famílias nas quais os pais sequer terminaram o ensino fundamental e vivem uma vida repleta de dificuldades, devido aos baixos salários, fraca alimentação . Sem base em casa (com todo o respeito a todas as famílias brasileiras), torna-se difícil para a criança atingir níveis mais altos na escola.
4- Para a grande maioria de nossos professores, o sonho não está dentro de uma sala de aula. Os que ensinam matérias como física, química, ciências, muitas vezes gostariam de se dedicar ao trabalho de pesquisas em grandes laboratórios, pesquisas de campo, mas por falta de incentivos nessas áreas acabam aceitando o trabalho a frente de 40 alunos, geralmente desmotivados, o que, aliás, é outro problema sério que discutiremos mais tarde.
5- Muitas escolas deixaram de ser tratadas como templos sagrados do ensino e são hoje gerenciadas como empresas. Seus “diretores” instruem seus “professores”, a prepararem seus alunos única e exclusivamente para serem aprovados no vestibular. Não importa realmente se eles aprenderam para a vida, ou não. Existem várias instituições conceituadas que aplicam provas e simulados quase que diariamente. O intuito é conseguir fazer com que um número cada vez maior de “representantes” dessas escolas sejam aprovados na prova das provas – o vestibular. Que maravilha! Nossa escola teve um índice de aprovação de 97,3% - fantástico! Também, com o número de novas faculdades que surgem a cada esquina, e com o tipo de teste que elas aplicam quem não passa? Nos cursos livres, o problema é ainda mais grave, pois o professor é praticamente proibido de tomar qualquer atitude em relação à disciplina. Isso pode fazer com que os alunos (indisciplinados) e seus pais (muitos deles ausentes) sintam-se incomodados e desistam. Os números caem e o professor perde o emprego. Neste caso, a indisciplina torna-se a regra, e não a exceção.
6- A falta de motivação dos alunos é outro fator importante. Não pense que somente os alunos de escolas públicas sofrem desse mal. Infelizmente, mesmo entre aqueles matriculados em escolas conceituadas, a motivação não é muito maior. A diferença está nas razões que levam o aluno a sentir-se desmotivado. Os provenientes de famílias mais humildes – que geralmente estudam em escolas públicas e na periferia – enfrentam problemas sérios em casa, como a falta de elementos básicos para o aprendizado (livros, alimentação, paz), e até nos bairros em que moram (violência, drogas, falta de transporte, acesso à saúde, etc). Os que têm melhores condições sofrem por outras razões. Filhos de pais que trabalham 14 horas por dia e que, para manterem seus empregos, precisam estar em constante atualização (cursos de pós-graduação, mestrado, doutorado, línguas etc) relegam os “baixinhos” aos cuidados de terceiros. Não podemos esquecer também que um número crescente de crianças e adolescentes vivem em lares incompletos devido ao alto índice de divórcio. Uma criança distante dos pais, nas mãos de um profissional mal preparado, torna-se o que chamamos de “problema” na escola (e futuramente, na sociedade). Surgem as reclamações dos dois lados. Os pais, por sentirem-se culpados pela ausência, cobrem os filhos de carícias positivas (o tênis mais caro, celulares de última geração etc) e os professores, sem treinamento para tais desafios, acabam perdendo o respeito de seus alunos, às vezes por completo. Não podemos esquecer também, que muitas vezes para sentirem-se tranqüilos enquanto trabalham, os pais literalmente “enfiam” os filhos em 10 cursos livres diferentes por dia (línguas, balé, teatro, RPG, filosofia avançada, web-design, entre outros), para que estes não fiquem sozinhos em casa. Os professores desses 10 cursos diferentes são obrigados a lidar com 90% de alunos que prefeririam estar no Iraque a ficar dentro daquela sala de aula. É claro que todos esses cursos são importantes, mas forçar o aluno a fazer coisas que ele não gosta é demais. Coitado do professor e do aluno! Professores e educadores não são pajens! Eles estão lá para ensinar e não para suprirem a falta dos pais, tornando-se babás. Se os pais querem que seus filhos se tornem seres humanos de verdade, precisam ajudar a valorizar os professores, mas é claro que sempre cobrando deles e das instituições onde trabalham um nível de conhecimento adequado e postura profissional.
O ensino é uma coisa maravilhosa. É uma pena assistirmos em nosso país, diariamente, o assassinato das escolas, dos professores e, em última análise, de nossa língua. É divertido andar pelas ruas e ver placas engraçadas, escritas de maneira errada, o problema é que não são somente estas placas de rua que estão repletas de erros gramaticais e ortográficos. Representações escritas e assinadas por advogados, livros escritos por médicos, manuais escritos por profissionais de diferentes áreas, chegam às nossas mãos todos os dias recheados de erros crassos e inaceitáveis. É claro que não podemos esperar que os profissionais de outras áreas sejam brilhantes em português, mas aceitar que cometam um homicídio doloso cada vez que escrevem é inaceitávelx. Somos revisoras. Nosso trabalho é revisar e orientar escritores, e gostamos de fazê-lo. Mas é fundamental que medidas sejam tomadas no sentido de melhorar o nível de nossos professores e do ensino como um todo. Melhores salários, uma avaliação mais rígida, maior comprometimento dos pais em relação ao ensino de seus filhos, uma parceria mais forte entre pais e professores, maior coragem dos pais em dizer a seus filhos – Não, seu professor está certo. Você está errado! (se for o caso, é claro). Tudo isso poderá ajudar a melhorar o nível de nossos alunos, a formar professores e outros profissionais mais preparados. A nossa vida pode ser melhor, imagine a de nossos filhos?
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